23.11.17

a espiritualidade em família...


Estava a preparar a agenda para uma das reuniões de hoje, quando dei por mim a esboçar alguns pensamentos em torno deste tema. Um tema difícil de tratar.
Refletir sobre a nossa espiritualidade individual já por si é difícil, porque nos coloca em confronto com os nossos gestos quotidianos e isso não é fácil. Quando aprofundamos um pouco mais a nossa reflexão e tentamos perceber como vivemos a espiritualidade em família, somos confrontados com o nosso papel individual, com o nosso contributo individual para a construção deste projeto coletivo que é cada uma das nossas famílias. E falhar com aqueles que mais amamos nunca é fácil.
Falar de espiritualidade em família é em primeiro lugar falar da espiritualidade do amor familiar, uma espiritualidade específica que se desenrola no dinamismo das relações da vida familiar e é suportada por milhares de gestos reais e concretos. Muitos deles quase impercétiveis. A comunhão familiar é caminho de santidade, em que as exigências dessa comunhão abrem o coração aos outros, abrem o coração ao Senhor.

A oração em família é um meio privilegiado para esta espiritualidade, diz-nos o Papa Francisco, no n.º 318 da Exortação Apostólica Amoris Laetitia: “Podem encontrar-se alguns minutos cada dia para estar unidos na presença do Senhor, dizer-lhe as coisas que os preocupam, rezar pelas necessidades familiares, orar por alguém que está a atravessar um momento difícil, pedir-lhe ajuda para amar, dar-lhe graças pela vida e pelas coisas boas (…). Com palavras simples”. Escrito desta forma até parece fácil. Mas mesmo não o sendo, os breves minutos em que rezamos juntos são um verdadeiro dom para nós, pois acredito profundamente que o partilhar da oração é aprofundamento das nossas relações e contribui de forma inequívoca para a construção da nossa família.  

Mas a espiritualidade em família vai para além dos muros das nossas casas, ela estende-se à vida da família no contexto comunitário, através da participação na Eucaristia, pelos gestos de amor que tem, …, mas também por muitos momentos de comunhão com os que a rodeiam e que se mantêm no seu domínio reservado.