7.2.18

perspetivas...



Nós adultos muito facilmente olhamos para o fim da vida na perspetiva do declínio físico, dizemos muito facilmente que a chama se está a apagar à medida que os vários orgãos vão dando sinais de gradual falência. E perante a evidência do declínio da vida somos invadidos por uma certa resignação. Queremos ajudar, queremos dar conforto, mas confrontados com as evidências de que pouco mais podemos fazer em termos físicos, experimentamos uma impotência difícil de ultrapassar. Confortam-nos as palavras de Paulo, quando no final da sua vida reconhece que combateu o bom combate.    
Ontem na nossa oração partilhada ao jantar o nosso filho P.  pediu a palavra e na sua prece pediu que o Senhor desse força à avó Maria para atravessar a meta, porque pelas suas palavras carregadas de um certo entusiasmo ele entende que ela está quase lá. Tentei disfarçar a comoção, de quem acaba de receber de uma criança talvez uma das maiores lições da minha vida. Ela não está a perder a sua vida, mas está quase a atravessar a linha da meta, quase a conseguir o encontro definitivo com Aquele que sempre amou. Não sei se ela neste momento terá essa consciência, mas sei que ao longo da sua vida sempre acreditou nesse encontro.

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