12.9.19

inspiração...





"Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor.”
Cfr. 1 Jo 4, 8









18.8.19

férias...



...  é tempo de ter tempo para férias. Num tempo que se quer de intimidade e de encontro. Encontro connosco, mas também de encontro com os outros.
Há alguns dias foi notícia que um terço das fotografias de férias dos portugueses eram fotografias falsas. Foi uma notícia que passou despercebida mas que é grave, muito grave. Quantos de nós andamos a viver vidas falsas, ou a viver a vida dos outros, negando-nos a nós mesmos?
Consciente desta realidade decidi que não publicarei fotografias destas férias. Reservarei para o círculo familiar as imagens da mais de meia dúzia de cidades europeias que pude visitar este verão com a minha família, dos restaurantes onde pude partilhar a vida e a mesa com os que mais amo, das paisagens que me suspenderam a respiração. Reservarei para mim os abraços de Deus que recebi ao longo de mais de 5 000 km. Há coisas que são só nossas...
Ainda nestes dias enquanto percorria de bicicleta um troço do Caminho do Centenário com o meu filho P. fazia esta reflexão: o que queremos que sejam as nossas férias?
Ouso partilhar uma conversa do meu pai com uma das minhas sobrinhas e que expressa também o que são férias para mim. Uma das minhas sobrinhas dizia que gostava de estar em casa do avô, e o meu pai num francês muito débil explicou que aquela não é a casa do avô, mas a casa de família. Ela não entendeu o que é a casa de família e fez uma expressão de incompreensão, mas que foi alterando para sorriso à medida que ele foi explicando que era a casa de todos, dos avós, dos seus pais, dos tios, dos primos, onde todos têm lugar, onde todos podem voltar sempre que o coração assim o deseje porque a porta estará sempre aberta.
Férias também é este voltar. É partir para o desconhecido mas também voltar para os nossos portos de abrigo, aqueles lugares onde nos encontramos e onde nos restabelecemos para os novos desafios que a vida tem para nos oferecer...
Férias é este equilíbrio entre a descoberta e o descanso, a tal quietude onde o Senhor se revela e nos indica o caminho.
Amanhã voltarei ao trabalho, com o coração cheio, mas também com o desejo de poder voltar a ter férias no próximo mês!

28.5.19




Há perguntas que nos deixam sem resposta, mas que a vida nos vai ensinando a responder. 
Se me perguntarem como se constrói uma carreira (que eu não gosto de denominar de sucesso) eu consigo enumerar os princípios que considero essenciais para mim e para a minha equipa: trabalho (muito), resiliência (para além de muita), humildade, lealdade, boa disposição e atenção ao outro. 
Se me perguntarem como se constrói uma família, de imediato respondo com amor, fidelidade e entrega incondicional. 
Se me perguntarem como se educa um filho: não sei! Sei que pelo amor e presença atenta vou transmitindo os valores que vou adquirindo com a vida. Sei que um filho precisa do seu próprio espaço para se afirmar, afirmar as suas ideias, os seus sonhos. Sei que não quero um filho à minha imagem, ...
Este é talvez o maior desafio que se coloca a nós pais, educar pelo amor, transmitir valores dando espaço para a afirmação da individualidade de cada um dos nossos filhos. Ter filhos equilibrados e não parcialmente exemplares...

16.5.19



Por vezes encontramos na vida e encontramo-nos com pessoas que quando a própria vida as fere, na fragilidade da doença, criam verdadeiras carapaças, e os muros que constroem em seu redor tornam os escassos centímetros que fisicamente nos separam em extensos quilómetros de distanciamento emocional. Geram silêncios verdadeiramente ensurdecedores.
Acredito profundamente que as verdadeiras amizades não morrem perante estas construções, mas temos de saber respeitar o tempo e espaço do outro.
Perante o muro  eregido e invadida por sentimentos de impotência questiono-me sobre o que posso mais fazer. Estava neste impasse e impotência quando me invadiu o pensamento de posso sempre rezar. 
Estamos tão enganados quando entendemos a oração como o último recurso para além de todas as palavras ou gestos que podemos fazer por nossa iniciativa. 
A oração da fé é verdadeiramente eficaz. 
Pela carta de S. Tiago (cfr. 5, 15-16) o Senhor fala-nos claramente do efeito salvador da oração da fé, a oração do próprio e a oração pelo outro: "a oração da fé salvará o doente e o Senhor recebê-lo-á; e, se cometeu pecados ser-lhe-ão perdoados. Confessai os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros para seres curados".
Esta noite, amanhã, no outro dia e nos que se seguirão irei orar ainda mais nesta certeza da cura, da pacificação do outro. E assim como um dia num convento carmelita percebi que alguém está a rezar por mim, eu também estarei em oração por alguém. É esta a verdadeira beleza da fé, da gratuidade do gesto...

10.5.19



Na exortação apostólica christus vivit que tenho estado a ler calmamente durante os treinos do meu filho M., o Papa Francisco lança o desafio de voltarmos ao primeiro amor.
Todos nós somos consumidos por um conjunto de preocupações diárias, sejam elas de ordem profissional, sejam de ordem pessoal, que em muitas casos geram em nós algum desânimo. Com frequência vivemos a experiência dos picos, em que tão depressa estamos completamente fascinados por algo ou por alguém, como também tão depressa somos acometidos de sentimentos de desilusão, confusão e até incompreensão. Mas o Senhor que primeiramente nos ama está sempre lá, sempre disponível para nós, para nos acolher e confortar. É essa a certeza deste tempo pascal que estamos a viver.
Quando não entendemos o momento presente, somos convidados a confiar, a confiar-mo-nos e a voltar a este primeiro amor, aquele amor fervoroso, intenso e dedicado de quem se entrega sem condição... 


Sempre me fascinou o ambiente da vinha, na sucessão das estações as paletas de cores que a vinha oferece. No outono quase que não conseguimos distinguir as tonalidades que mudam ao longo do dia, basta que se altere a intensidade e a inclinação dos raios de sol.
Na primavera, com os primeiros rebentos sentimos a promessa da colheita, basta saber esperar...
Sonho um dia em poder ter uma casa com o alpendre voltado para a vinha. Sonho todos os dias poder descobrir com tempo, com a lentidão que a vida não me permite agora, a sedutora transformação da natureza.
E quanto mais rápido vivo, com muitas vidas vividas dentro do mesmo dia, mais fascínio exerce sobre mim essa lentidão que já não é minha...

6.5.19

...




Caminhamos pelo campo e entre quintas com animais que nos vão cumprimentando, lá está ele, imponente no meio da serenidade da paisagem alentejana, o Santuário de Nossa Senhora d' Aires em Viana do Alentejo. E, apesar de ainda estar a sofrer obras de requalificação, é sempre um lugar a redescobrir...

5.5.19

...


"Pedro, tu  amas-Me?" 
(cfr. Jo 21, 1-19)

Neste dia o Senhor pela interpelação a Pedro questiona-nos sobre o Amor. Não somos questionados sobre a nossa perfeição, mas sobre a nossa autenticidade.
S. João da Cruz, um místico, partilha connosco essa visão da autenticidade: "No anoitecer da vida seremos julgados pelo Amor".

24.4.19

mini-estafeta


Nem o mau tempo os impede de lutar pelo que querem. Nós temos de reaprender a olhar a vida como as nossas crianças, com um olhar descomplicado...

23.4.19

foco...


Hoje o meu marido estava intrigado como é que eu conseguia gerir a minha caixa de e-mail do trabalho com centenas de entradas por dia. A resposta é simples:
- mantenho o sistema de alertas para as urgências (nunca se sabe!)
- apenas consulto, reencaminho, arquivo e categorizo para resposta os e-mail's recebidos ao início da manhã, ao início da tarde e ao final da tarde (para preparar o dia seguinte); 
- o resto do tempo foco a minha atenção nas tarefas que tenho na agenda do dia; 
- ao final do dia arquivo os assuntos tratados... 
É tudo uma questão de foco, pois o nosso principal inimigo em termos profissionais é a dispersão. 
Assim também acontece com a nossa vida pessoal. Precisamos de perceber exatamente o que é que é realmente importante para nós, para podermos precisar a nossa atenção, estabelecer o nosso foco naquilo que realmente nos importa. Se o nosso foco for a nossa família, que a nossa atenção e os nossos passos sejam para aquilo que constrói família, nem que não seja correr todos os finais de tarde para casa para preparar o jantar que nos permite partilhar e  viver tempo de qualidade em família, porque não?

21.4.19

mistério...



Como o raio da aurora trespassa a escuridão da noite e anuncia um novo dia, revelando a possibilidade da existência de vida, o amor trespassa a profundidade e a dureza do nosso coração, revelando a possibilidade de uma nova vida, Deus em nós. Tal como no silêncio da noite brota a aurora, assim de uma forma silenciosa o Amor instala-se no nosso coração para sempre, eternamente.
Tudo acontece porque um dia alguém numa cruz deu a vida por nós, num mistério que permanecerá inexplicável mas que podemos viver a cada instante da nossa existência, assim abramos o nosso coração ao Amor.
São estes acontecimentos de entrega total e gratuita que somos convidados a reviver e a meditar por estes dias, como forma de nos aproximar deste mistério. Permitamo-nos ao Amor. Santa Páscoa!

20.4.19

nós por cá...



A vida é para nós aquilo que o nosso coração interpreta. Quando nos sentimos gratos pelas coisas simples, que muitas vezes damos por garantidas, mas que são o que realmente importa, a vida, a nossa vida tem ainda um sabor mais intenso, e o verdadeiro sentido torna-se mais claro ao nosso olhar.
Todas as manhãs dou graças pelo dom da vida, pelo dom da fé, pelo dom da família, pelo dom da paz, pelo dom do trabalho, ...,  coisas simples mas as mais preciosas para mim.
Hoje dou também graças por esta terra onde vivo, que os outros procuram como lugar de evasão e que em cada recanto tem perfume de paraíso.

10.4.19

gestos...



É comum e muito conhecida a expressão de que um gesto vale mais do que mil palavras. Há toda uma comunicação corporal que os outros leem em nós, e que expressa o que habita no nosso coração. Mas também há uma certa ilusão em nós de que as nossas palavras ocultam os nossos gestos, o que é completamente errado e, quando acontece torna-nos incoerentes perante os outros.
Nós expressamos, exalamos, os sentimentos que nos habitam e os nossos gestos são a expressão mais fiel desses sentimentos. Quando experimentamos verdadeiramente o Amor, os nossos gestos serão certamente também gestos de amor.
Mas antes do gesto ser para o outro é primeiramente para nós. Cada gesto tem um significado profundo primeiramente para nós. Até o gesto mais simples.
Quando estendo a mão para cumprimentar alguém rompo o meu espaço de conforto e vou ao encontro do outro, permitindo que no simples toque entre mãos o outro entenda que estou ali naquele momento disponível para si.
Também na nossa vida espiritual os gestos mais simples têm um significado profundo. Romano Guardin no livro “Sinais Sagrados” através de uma linguagem simples mas tocante, fala-nos de alguns desses gestos.
Partilho o seu pensamento sobre aquele gesto que talvez mais vezes tenhamos feito ao longo da nossa vida cristã, o sinal da cruz.

Quando fizeres o sinal da cruz, fá-lo bem feito. Não seja um gesto acanhado e feito à pressa, cujo significado ninguém sabe interpretar. Mas uma cruz verdadeira, lenta e ampla, da testa ao peito, dum ombro ao outro.
Sentes como ela te envolve todo?
Recolhe-te bem. Concentra neste sinal todos os teus pensamentos e todos os teus afetos, à medida que o vais traçando da testa ao peito e dum ombro ao outro. Senti-lo-ás então a penetrar­-te todo, corpo e alma. A apoderar-se de ti, a consagrar-te, a santificar-te. Porquê?
É o sinal da totalidade, o sinal da Redenção. Nosso Senhor remiu todos os homens na cruz. Pela cruz santifica o homem todo até à última fibra do seu ser.
Por isso o fazemos antes da oração, para que nos recolha e ponha espiritualmente em ordem; fixe em Deus o nosso pensamento, coração e vontade. Depois da oração, para que permaneça em nós aquilo que Deus nos deu. Nas tentações, para que Deus nos fortaleça. No perigo, para que Ele nos proteja. No ato da bênção, para que a plenitude da vida divina penetre na alma, a torne fecunda e consagre quanto nela há.
Pensa nisto sempre que fazes o sinal da cruz. É o sinal mais santo que existe. Fá-lo bem: devagar, amplo, conscientemente. Envolverá então todo o teu ser, corpo e alma, pensamentos e vontade, sentido e sentimentos, atos e ocupações, e tudo nele ficará robustecido, assinalado, consagrado na força de Cristo, em nome de Deus uno e trino”.

É no aqui e no agora, em cada gesto simples que o Senhor se revela, primeiramente a nós e por nós aos outros. 

5.4.19

lugar sagrado...

Santuário de Fátima, 2019

1.1.19

nesta aurora...


... vivemos o início de um novo ano civil. Para trás deixámos certamente um ano muito intenso, um ano de graça, onde o Senhor nos permitiu viver com a profundidade que o nosso coração alcança acontecimentos que nos ensinaram a sermos melhores homens, melhor família. A vida e a morte caminharam sempre connosco a lembrar-nos da nossa efemeridade e da nossa fragilidade. Choramos e rimos imenso, mas sobretudo vivemos todos esses acontecimentos em família.
Nesta aurora iniciamos um novo ano, onde a ideia de futuro, de possibilidade, brota facilmente nas nossas palavras e nos votos que formulamos uns aos outros.
E assim pelo pulsar do relógio quase que nos espartilhamos entre um passado que já aconteceu e não podemos alterar e um futuro que não sabemos como existirá, se existirá.
Por isso importa centrarmo-nos no que realmente podemos viver, este momento. A nossa existência presente que o Senhor pelo exemplo de Maria que celebramos hoje, nos oferece como caminho de santidade.
O mestre Eckhart ensina-nos que o que realmente importa, o que nos estrutura, não são os acontecimentos mas a forma como os vivemos. O aqui e o agora, na relação com os  outros que o Senhor coloca na nossa existência.
Maria escutaremos hoje "conservava todas estas coisas meditando-as em seu coração" (cfr Lc 2, 16-21). A interioridade, a  meditação, o amor, a presença constante, a atenção e a simplicidade de Maria perante os acontecimentos da história são o caminho que o Senhor nos proporciona neste momento,  e em cada momento, assim o saibamos acolher.
Que Maria me ajude a ser sinal de paz para os outros!

17.12.18

tempo de esperança...


... poderiam ser imagens de arquivo, mas não, são fragmentos de um dia neste tempo de espera, deste advento. Um dia vivido em família na esperança de que o menino que falta no nosso presépio será uma presença certa no nosso coração, será uma presença em cada encontro.
Com Maria vivemos serenamente este tempo de espera, de esperança. Aquele tempo que antecipa o abraço profundo aqueles que amamos.

2.12.18

é tempo...


... de dar o meu tempo, contemplar o meu  presépio e mergulhar na intimidade desta família, aquela que desejo modelo para a minha própria família.
Neste advento quero contemplar aquele homem e aquela mulher que na simplicidade souberam esperar a concretização da promessa de Deus nas suas vidas, souberam acolher o Salvador, o príncipe da paz, a expressão máxima do Amor de Deus para com o seu povo.