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# nós por cá...

Hoje a Igreja inicia um novo tempo litúrgico, e cada um de nós individualmente é desafiado a viver esse tempo de forma mais intensa ainda. É este o momento, não é o ontem ou o amanhã, é o aqui e o agora que o Senhor nos concede, que é a verdadeira graça, o tempo da graça.

Inevitavelmente hoje lembrei a minha última celebração de Cinzas. Lembro-me que entrei na Igreja de Santa Cruz, na baixa de Coimbra, logo pela manhã, e ainda o país não sonhava com confinamentos, vivi toda a celebração sem tocar em nada, apavorada, com medo de um vírus de que se falava distante, mas estava mais próximo de mudar as nossas vidas do que se supunha, mas ao mesmo tempo com o desejo de ultrapassar todos os perigos para estar próxima do altar, próxima do meu Senhor, experimentando essa pequenez que só a proximidade permite.

Hoje, ao final de um dia intenso de trabalho, ao ajoelhar-me no chão do diante do Santíssimo voltei a essa pequenez, num silêncio arrebatador. O vírus não desapareceu, antes pelo contrário, tornou-se mais presente e ameaçador, num desconhecimento desconfortante que vai permanecer entre nós por muito tempo. Mas o desejo de proximidade, a certeza dessa presença segura, desse colo, aplana todas as barreiras do medo do desconhecido.

Estar ali, diante d' Ele, tocar com o meu olhar o Sacrário, deixar-me tocar por Ele, não lhe pedir nada, simplesmente entregar-lhe todos os que se confiaram à minha oração, foi viver no aqui e no agora esse momento, esse tempo de graça.

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